29.12.12

O dia em que quase virei sopa de batata.

eu ia escrever um post aqui explicando todo esse 2012. todo esse horror, sabe. uma coisa assim para vocês pegarem lencinho e chorar. mas isso ficou para segundo plano depois do que me aconteceu hoje.

eu tenho dor crônica. começou há quase três anos. tem até uns post sobre isso anos atrás quando eu achava que era um leve torcicolo. quem me acompanha no twitter deve ter percebido que, no último ano, minha vida foi uma peregrinação em  médicos, fisioterapeutas, acupunturistas. eu também sofro de algo chamado disfunção temporomandibular, o que me fez perambular por muitos dentistas idem. a questão é que ninguém se junta para decidir o que causou o quê, e minha vida virou um eterno dilema da tostines.
junto com esses dois problemas ótimos só que não, eu passei por vários médicos que me entupiram de antiinflamatórios, só, qu,e legal, eu não tinha inflação. o uso contínuo de antiinflamatórios me causou uma reação autoimune, e se não fosse o fato de eu estar fazendo um milhão de exames o tempo todo, eu não teria descoberto um início de linfoma. é, a vida é boa, só que não.
mas deixemos tudo isso de lado e foquemos no hoje: hoje eu tive uma crise. uma crise daquelas. eu não conseguia nem sequer me mexer de tanta dor. daí minha mãe ligou para minha médica que está viajando, opa! fazer o quê? Ir para o pronto socorro estava fora de cogitação, já que eu passei esse ano todo entrando e saindo dessa merda, e o protocolo é sempre o mesmo: ir à farmácia tomar umas injeçõezinhas de corticoide. nens. 
daí minha mãe decidiu que ia chamar a Ana. 

Ana = A hare krishna que faz massagens na minha mãe. como quem tem dor, tem pressa e eu não estava nem um pouco a fim de discutir meu ceticismo. deixei.

gente, chega a ana.

ana me chega e me manda ficar apenas de calcinha. medo. ana começa a me passar óleos com cheiro de incenso e começa a me massagear. legal. ana pergunta: você faz acupuntura com quem? 
- com a minha médica
- esse médicos acupunturistas não sabem de nada.

ok. mas diguemos que eu prefira deixar a pessoa que me enfia agulhas ter ao menos um diploma. afinal, serve para eu processar alguém, né?

- e remédio, você, toma?
-já tomei vários, agora há alguns meses eu tomo os mesmos
- Alopatia não sabe de nada, esses remédios estão acabando com seu fígado, por isso essas dores todas, vai criando  umas pedras que não dão para ver em exames

muito conveniente, han? não dá para ver em exames, apenas tomando chazinho.

- a questão é que seu corpo está muito danificado, aí o seu iang tenta combater, e aí, ao tentar combater essas coisas, você fica com essas dores...

vou te dar o número do meu hematologista...

- mas, a gente vai cuidar  disso, sabe como é? eu vou te dar uns remédios homeopáticos e você vai colocar tudo para fora. agora deixa eu pedir para sua mãe uma batata.

- q 

Ana pega uma batata corta em rodelas e começa a colocar nas minhas costas. nesse momento eu juro que se eu tivesse condições eu sairia correndo, mas como estava na minha própria cama continuei ouvindo.

- agora você vai fazer o seguinte, você vai repetir "aqui onde eu estou, estou em paz" 

RISOS.

- sabe os médicos  acupunturistas não sabem de nada, você tem suas agulhas? porque eu sou da escola que reutiliza as agulhas, da escola sustentável...

você é da escola onde as pessoas não conhecem AIDS e a vigilância sanitária não chega.

- não, eu não tenho e você não vai me dar agulhada com agulha reutilizável nem fudendo.
- claro que não, trouxe elas aqui novinhas, olha, mas depois você guarda e só você usa.

melhorou bastante.

- agora vamos tirar as batatas e colocar as agulhas, enquanto isso eu vou molhando seu cabelo com essa água quente, você fecha os olhos e repita comigo OOOOOOOHMMMM.

pai, por que me abandonastes?

- isso, sentiu que seu cérebro foi lavado?

você sentiu que você é esquizofrênica?

-agora você vai sentar aqui comigo no chão em posição de yoga e vai meditar OMMHHHHH. agora repita: deus, entre pelo meu corpo, melhore meus fluídos....ZZZZZZZZzzzzz

- pronto. segunda-feira eu volto para continuarmos o tratamento, ok?
.
.
.

gente, socorre! eu sei que não deve ser bom para uma mãe ver a filha em sofrimento há quase três anos, mas eu ainda tenho que passar por isso? não bastasse tudo? 

aceito sugestões de como me livrar da hare krishna batateira nos comentários.

25.11.12

É O MONET! É O MONET!

ontem nos reunimos na casa do ícaro para uma despedida. se vocês me perguntarem despedida do quê ou de quem, eu não sei. só sei que toda hora eu falava, gente, hoje é a despedida. no fim, acho que a gente só queria se despedir daquela vodka e daqueles vinhos que sobraram da minha festa de aniversário. enfim, em algum momento alguém teve a brilhante ideia de jogar Perfil. Ai, amigo, se você não sabe qual jogo é o Perfil, joga no google que não serei eu a explicar.



ícaro: É O MONET, É O MONET!
eu: ai, não é não, próximo.

(era o Monet. só que eu tinha lido naquela parte que vem escrito "diga aos jogadores que eu sou uma PESSOA" e fiquei indignada com a intimidade do jogo chamando o Fernando Pessoa só pelo sobrenome)

eu: ai, volta, gente, o ícaro estava certo: é o Monet. Tava aqui achando que era o Fernando Pessoa.

bêbado é triste, viu!






25.10.12

que vida feliz!

acordei às setes horas da manhã muito ansiosa porque hoje era um dia muito importante  e eu achei que teria uma notícia boa sobre meu quadro clínico. descobri que não era bem assim e que deveria voltar daqui a 10 dias. enquanto isso continuaria com as sessões de infiltração. tomei 9 injeções. cheguei em casa muito chateada e com fome, mas a faxineira estava aqui e tinha um encanador no meu banheiro, de modo que a minha mãe já havia tirado a mesa do café. sento para trabalhar e quando vejo um amigo antigo (bem antigo, dos idos dos anos 90) faz um montagem de uma foto minha com uma amiga dele com a chamada "separadas pelo nascimento", achei a menina uó de feia e fiquei com a auto-estima abalada. quando me dei conta estava atrasada para a fisioterapia e o almoço não estava pronto, então só comi um pouco de salada. chegando na clínica, minha fisioterapeuta, que é sempre pontual, atrasou 20 minutos; quando eu cheguei em casa minha mãe já havia tirado a mesa do almoço. fui para internet xingar muito e me lembrei que ontem fui ao shopping fazer umas compras e esqueci uma sandália  em outra loja e tinha que ir lá buscar (isso eu só descobri depois de ligar para todas as lojas em que passei). antes de ir  buscar a bendita sandália eu tinha que passar em um assistência técnica para levar o notebook do meu irmão para consertar. não sabia direito onde era e entrei na contra mão em uma via movimentada. quase que um carro colide comigo de frente. obviamente o cara que quase foi para o céu comigo meteu a mão na buzina e amaldiçoou até a minha quinta geração. ainda atordoada cheguei ao shopping e peguei a sandália. percebi que estava com fome e fui à confeitaria. depois de conjecturar entre um mouse de chocolate e uma trufa, pedi o mouse. na hora de pagar notei que havia esquecido minha carteira. desconsertada falei para a moça que não queria mais e fui embora com os rabinhos entre as pernas. entrei no carro, dei partida e comecei a me perguntar o que eu estava fazendo ali. me lembrei da sandália, e, vejam só: a esqueci na confeitaria. voltei, peguei e fui para a aula de francês. depois de algum tempo na aula não conseguindo prestar a menor atenção porque estava, sei lá, há umas 30 horas sem comer direito e sob efeito de remédios fortes, minha professora me diz que estava sem carro e me pediu uma carona. ela é muito gente boa e eu não vi motivos para não levá-la em casa. ela morava do outro lado da cidade. cheguei em casa e minha mãe não tinha feito janta e a única coisa comível era uma pamonha que eu tive que "requentar". como se o dia já não tivesse ruim o bastante e eu não tivesse passado por tamanho sofrimento, entrei no twitter e li um spoiler de Dexter.


Fim

23.10.12

500 tons de simpatia

já faz três semanas mais ou menos que o assunto na aula de inglês (que só tem mulheres!) é o tal do 50 Tons de Cinza. segunda-feira só foi diferente porque elas estavam falando da continuação (oi?). todas as vezes que esse papo começou eu ficava calada tentando me fazer de invisível. sabe na época da escola que o professor saía fazendo perguntas e a gente só ficava pensando "não me chama! não me chama" porque não ia saber o que dizer? pois é. eu sabia que se algo sobre esse assunto fosse a mim perguntado daria merda, né?
- Marina, você já leu esse livro?
- Não..erm..nunca?
- Se quiser eu te empresto, é muito bom!  
- Não, obrigada. Não leio sublitaratura ruim.


  a cara delas, gente, a cara delas...

9.9.12

as atualizações de corações partidos foram atualizadas.

todo mundo espera o fim do mundo em 2012, mas acho que meu mundo acabou várias vezes esse ano. acabou do tipo que eu achei que ia morrer, não só uma, mas umas 30. e pior, foi a parte de ter CERTEZA que eu ia morrer. e, por fim, hoje, pensar que talvez eu não dure como uma dona canô, mas estamos aí: vivona.

também teve aquele parte horrível de todo mundo começar a desconfiar de mim, dos meus amigos. e aquelas coisas engraçadas de acharem que eu era do crime organizado. RISOS.

e teve um coração partido. um coração partido como nunca antes na história desse país, simplesmente porque nem eu sabia mais que sentiria algo tão forte assim por alguém, de novo, depois de longos anos com o coração ocupado, quase sempre pela mesma pessoa, de várias formas diferentes.

mas esse sentimento apareceu. e, com ele, o maior coração partido dos corações partidos.

porque é um daqueles que a gente nunca vai saber como teria sido, porque, de verdade, nunca foi.


triste, né? eu sei.

15.7.12

quem é o cafetão? o Fabio?

Na casa da Lígia em Brasília

- então a gente pode ir no festival internacional de cinema... vou ler as sinopses do filme

-

- Mona Paparu é húngara e mora na Romênia. Ela deixa a filha pequena com sua tia para poder visitar seu pai na Alemanha. Ela não o via há anos e ele diz estar muito doente. Mas, chegando lá, Mona descobre que o pai está endividado com traficantes. Ele a entrega aos cuidados de dois traficantes de escravas, que a levam para a Inglaterra. Mona termina num elegante porém estranho bordel, o Bibliothèque Pascal, onde as prostitutas são forçadas a agir como personagens de histórias literárias.... hahahahahahahaahhaha

- oi?

- quem é o cafetão desse bordel o fabio camacho?

RISOS!


E não é que o filme é bom, gente?

2.7.12

Alguns motivos para AMAR Buenos Aires


As cervejas e vinhos



A literatura 

A hospitalidade

Quando dels fez os argentinos ele não estava namorande, né? tava, sei lá, praticando o kama sutra.

30.6.12

Ah, eu vou lá saber nome de CANTOR DE TANGO??

Conhecida pergunta: E aí, gostou da casa de Borges?
Eu: Nossa, muito mais que eu imaginava...
Namorado da conhecida: Ué, você já tinha amigos na Argentina, achei que tinha ficado em um Hostel....
Eu: Ahn? Eu fiquei, oras!
Namorado da conhecida: Mas esse Borges?
Eu: Jorge Luis Borges? Nunca ouviu falar?
Namorado da conhecida: Ah, eu vou lá saber nome de CANTOR DE TANGO??


Jorge Luis Borges canta seu tango mais famoso: Mi labirinto querido!

14.6.12

OI OI OI - a gente se apega, né?

assistindo Avenida Brasil com minha mãe ontem:

- nossa, como ele tá mais feliz, mais bonito
- oi?
- é, olha la: só largar daquela mulher e já voltou a jogar futebol
- ham?
- o tufão, filha! a carminha colocava ele até mais feio...acho que ela colocava calmante na comida dele, ele era meio apático...
- mãe, isso é novela.
- ai, eu sei, né? mas, a gente se apega.


27.5.12

sem ritalina só falo bobagem!

voltei. mais ou menos, né? não quero dividir com gente estranha esse momento da vida, porque, né? como faz isso sem conseguir piedade? nem quero. daí um amigo me convenceu que alguns diálogos precisam entrar para eternidade. taí. se você for ler isso aqui, aprenda: o que for meu estará sempre em itálico. bisous!

com o @brunoborjs

- nossa, aconteceu comigo esses dias uma das coisas que eu mais odeio: cheguei morrendo de fome, coloquei uma pamonha para ferver, depois que eu tirei toda palha morrendo de vontade, coloco na boca e era de DOCE.

- nossa, é a pior coisa do mundo. sério. é igual quando tá rolando aquele clima, aquela coisa ótima e quando a gente vê: o negócio é pequenininho...

- dá vontade de morrer, né?

- eu fico com vontade de matar

- nas duas coisas, né?

- é. coisas que não têm sentido: guerra, miséria e pamonha de doce.

No analista:

- não acho que minha vida afetiva seja algo que eu precise me preocupar mais, né?
- claro que tem: você é muito inteligente, muito bonita...
- ok. você não sabe se eu sou bonita, você é cego.
- sou cego, mas não sou burro.

Com o @fabiorbcamacho:
- Vai chegar o dia em que o Luhrmann vai pegar Madame Bovary e vai colocar a Britney Spears como trilha sonora, vão vendo....
- estamos esperando

8.1.12

2012

eu fiquei ensaiando um post sobre 2011. mas acho que nem cabe mais, né? o que eu posso dizer é que 2011 foi o primeiro ano em que eu fiz metas e projetos de ano novo. realizei todos. então terminei o ano me sentindo super foda. já fiz vários planos para 2012. mais audaciosos, confesso, mas, nenhum impossível.
ontem um conhecido veio falar comigo no msn e eu perguntei como ele estava de 2012 e ele disse que estava muito 2011 ainda. eu não estou. 2011 foi, definitivamente, embora.

talvez seja o fato de eu ter passado a virada de ano em uma ilha, dentro de uma piscina, tomando uma chuva torrencial de verão e dando beijos ardentes. talvez não.


Feliz 2012!

12.12.11

Jardim de infância mandou lembranças.

Max Weber cunhou um conceito muito legal na Sociologia denominado Ação Social. em linhas gerais - bem gerais - é aquilo que se faz, não se faz, ou deixa-se de fazer.

a princípio o não fazer e o deixar-se de fazer podem parecer a mesma coisa, mas não são. tipo assim: você vê uma velhinha atravessando a rua e pode ajudá-la a atravessar (fazer); você pode jogar cascas de bananas em toda a faixa de pedestre e evitar que ela atravesse (não-fazer); ou pode simplesmente cagar para a velhinha e a porra da faixa, mas saiba você que se ela atravessar sozinha e for atropelada a culpa será sua.

do you got it?

naum rssr!

mas o motivo pelo qual eu estou falando essas coisas é que eu fico muito puta quando nego me chama de rancorosa, sabe? porque é uma análise tão superficial da situação, tão simplista. porque eu não guardo rancor. e não é nem aquele estilo biscatismo de "ai, não guardo nem dinheiro vou guarZZZZzz". bitch, please! o problema é que eu posso até tomar no cu uma vez, mas duas, jamais. porque eu não permito que nego faça isso comigo. não mais, ao menos. e daí tinha essa pessoa que, obviamente, todo mundo achava que eu guardava maior rancor do mundo - ela mesma, inclusive - aí nego passou por maus lençóis e quem acabou estando lá por ela? eu. a idiota. e, sabe? nem me arrependo. porque eu sempre funcionei assim: eu faço o que eu acho certo. teria 145589696 de motivos para mandar a pessoa se foder sozinha e chafurdar na lama e não consegui. simples. mas, né? sou rancorosa. aí o que me mata, no momento, é o não fazer. a hora de retribuir, de ao menos fingir, sabe? E, cadê? nego deixa de fazer. caga. anda. e depois quer exigir certas coisas. certas coisas que você não pode mais oferecer, porque, oi? não faz sentido. aí que que nego faz? TE BLOQUEIA NO FACEBOOK.

isso que eu demorei só um mês para notar.



jardim de infância manda lembranças. ê.

8.12.11

if we lose we're going straight to Hell

quando criança, perto da casa da minha avó, havia um muro com a seguinte pichação: "não se aflija, o mundo ainda é dos idiotas". aquilo me tocava dum tanto, e me passou a tocar ainda mais quando eu vim a descobrir o que era afligir.
duas décadas depois, quase sempre essa frase volta aos meus pensamentos. o mundo é dos idiotas e não há nada que eu possa fazer. é meio triste pensar, aos 26 anos, que nada vale a pena. mas é verdade. é ruim não esperar mais nada de bom das pessoas, mas, como conseguir o contrário? e, olha, que eu não sou o problema . eu sou uma das pessoas mais legais que eu conheço. a questão é que eu conheço tão pouca gente igual a mim, que, sinceramente. como esperar algo? não é desilusão, é meio que preguiça de saber aonde tudo vai parar.




24.11.11

We're like how we were again

sabe aquela sensação de broken heart? tou nessas. mas o mais impressionante é estar nessas depois de quase dois anos solteira, com poucos envolvimentos e sem absolutamente ninguém para me deixar assim. se a gente pensar que a última vez que eu troquei uns beijinhos com alguém foi em julho. quer dizer...depressão pós-romance retroativo?

aí, como eu estou super magoada, estou ouvindo a deusa da depressão e romance-vida-de-merda-amy-falecida-winehouse. achei apropriado.

me lembrei de um casalzinho que se sentou ao meu lado em um dos meus voos gyn-rj-sp-sp-bsb-gyn. os dois super cúmplices na viagem, ele perguntado onde estava a carteira dele, ela dizendo que na bolsa dela, ele falando que tinha se esquecido de não-sei-o-quê, ela dizendo que tinha lembrado e guardado. been there.

acho que finalmente bateu aquela falta de ter alguém para compartilhar, sabe? mas, cadê? aliás, em julho foi engraçado. eu estava lá procurando naquele banheiro uma escova de dentes novas e ouvi a voz que vinha do quarto: "que que você tá procurando?" - "uma escova de dentes" - "ah, pega a minha". ok.

fiquei 4 anos com a pessoa e nunca tinha acontecido isso. aí, 5 anos depois, esse "usa a minha" como se fosse algo normal.

depois de 5 fucking anos.

fez sentido para vocês? nem para mim.


31.10.11

30 Day Book Challenge! - Dia 08: um livro que deveria ser um best-seller


olha, veio a calhar que há umas duas semanas acabei de ler um livro muito bom e que deveria ficar bem famoso e muito bem vendido. Naqueles morros, depois da chuva - do Edival Lourenço, foi um livro que eu precisei lei porque ia ter que escrever sobre o autor, e olha, que surpresa boa. primeiro porque é um livro riquíssimo de informações sobre a formação de Goiás; segundo que é escrito em um linguagem muito interessante, como o próprio autor me disse: "foi uma tentativa de resgate da linguagem daquele tempo, mas de uma forma adaptada". ou seja: uma "ferrugem daquela linguagem".

"O bastardo filho de Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, narra a saga de Luis de Assis Mascarenhas, governador da província de São Paulo e Minas de Goyazes, que está indo para o Arraial de Santana com a função de fazer com que a Minas de Goyazes tenha autonomia administrativa. Ele está acompanhado de uma ampla comitiva, composta pelos mais diversos personagens, desde um padre medroso até um “encantador” de serpentes, o narrador-bastardo. A viagem é pontuada por acontecimentos insólitos e alguns um tanto quanto sinistros, que vão dando a narrativa uma eloquência que não nos fazer perder o interesse pela história que está sendo contada. Mesmo diante de todos os percalços do cerrado, de todos os contratempos que permeiam a viagem toda, a comitiva chega ao seu objetivo, com uma recepção acalorada e fogosa dos moradores de Arraial de Santana. Um passo dado para mais uma página da história do Brasil"

16.10.11

30 Day Book Challenge! - Dia 07: um livro que é difícil de ler


acharam vocês que eu havia esquecido do desafio, né? mas nem esqueci. foi só a preguiça aliada ao vírus/bactéria/whatever que pegou a mim e a minha família e nos deixou de cama, sem disposição para nada, durante 4 dias. foram momentos difíceis, mas, felizmente, estou bem.

bom, um livro que eu li, mas que foi difícil é o Versos Satânicos do Salman Rushdie. no começo é muito, mas muito bom. depois, vai ficando tão chato que eu só terminei porque achei que já que eu tinha perdido meu tempo até quase o fim, então, por que não? não é um livro tão bom quanto pintam por aí, mas há quem goste.

"O livro conta as aventuras de dois indianos muçulmanos que sobreviveram a um atentado a bomba de separatistas sikh em um avião. Após a queda, na Inglaterra, um deles, Saladim Chamcha, desenvolve chifres, cascos e um rabo. O outro, Gibreel Farishta, cria um halo e sonha em conhecer o profeta Mahound (antigo termo pejorativo para Maomé)."

com essa história de livro difícil de ler, eu me lembrei de uma carta que o Kafka escreveu para um amigo dele em 1904 sobre o que ele pensava sobre os livros que lia.

“No fim das contas, penso que devemos ler somente livros que nos mordam e piquem. Se o livro que estamos lendo não nos sacode e acorda como um golpe no crânio, por que nos darmos o trabalho de lê-lo? Para que nos faça feliz, como diz você? Seríamos felizes da mesma forma se não tivéssemos livros. Livros que nos façam felizes, em caso de necessidade, poderíamos escrevê-los nós mesmos. Precisamos é de livros que nos atinjam como o pior dos infortúnios, como a morte de alguém que amamos mais do que a nós mesmos, que nos façam sentir como se tivéssemos sido banidos para a floresta, longe de qualquer presença humana, como um suicídio. É nisso que acredito.”

não só você, kafka. não só você.



8.10.11

We've been through this such a long, long time just trying to kill the pain

gosto muito quando eu quero fazer algo simples e não sou bem sucedida. tipos quando eu vou à cozinha beber água e ela acabou, ou, sei lá, tento dormir numa tarde de sábado e não consigo, tento estudar e não concentro. são essas pequenas coisas do cotidiano que me deixam bastante feliz só que ao contrário.

um pouco da culpa é da análise. acho que às vezes reviver algumas situações mesmo que seja para resolver o que não ficou muito certo é meio chato. aí eu estou lá, falando, falando, falando, para uma pessoa que deve estar pensando em outras coisas porque nem um barulhinho para dizer que está viva a mulher faz e no fim só escuto a pergunta: por que se submeter a isso?

não sei, né?

já faz um tempo que isso não sai da minha cabeça. ao mesmo tempo em que eu não conseguia achar nenhum um tipo de explicação racional para tal ato do passado, só conseguia pensar que eu sempre fui capaz de aceitar coisas e depois pensar "mas eu sou incapaz de aceitar isso, blá blá blá". confuso. eu sei.

aí eu fico aqui com toda uma raiva retroativa que em algum momento parece ter sentido, quase passa, e o que eu faço? procuro motivo para justificá-la. e sabe, nem preciso me esforçar. sempre acho.

aí volto para o divã e quando perguntada como as coisas vão indo, respondo: não estão indo. como não? sei lá, acho que não consigo mais sobreviver à decepção, apenas.

já é um ponto a se trabalhar.

é, né?

30.9.11

30 Day Book Challenge! - Dia 06: um livro que te faz chorar


na verdade esse livro não me faz chorar, ele me fez convulsionar em lágrimas. sírius black morre e temos certeza que harry nunca será feliz nessa vida. Harry Potter e a Ordem da Fênix - J.K Rowling


27.9.11

30 Day Book Challenge! - Dia 05: um livro de não-ficção que você realmente gostou


têm vários livros de não-fição que eu adoro, mas acho que o que mais me tocou foi Ilícito do Moisés Naím. mais do que um relato jornalístico primoroso é também uma tese econômica interessantíssima sobre o outro lado da globalização. é chocante e vale a pena.

"As redes mundiais de comércio ilegal de armas, drogas, órgãos humanos, imigrantes, bens falsificados, prostitutas, arte roubada, além do terrorismo e da lavagem de dinheiro são hoje uma parte consolidada da economia internacional e movimentam centenas de bilhões de dólares ao ano. Neste livro, Moisés Naím, editor da revista Foreign Policy, realiza uma investigação detalhada e pioneira sobre um lado pouco conhecido da globalização - as atividades ilícitas. Contrabandistas, traficantes e piratas sempre existiram, mas nunca com um poder econômico que gira em torno de 10% de todo o comércio mundial, muito menos com um poder político capaz de controlar nações inteiras. Com dados surpreendentes e exemplos atuais, o autor faz de 'Ilícito' uma contribuição indispensável a todos que desejam conhecer um pouco mais sobre essa nova economia global, mais interligada, mais rápida e menos sujeita ao controle dos Estados."